Que nem feijão com arroz




Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?

Doce Ironia


O ácido em minha saliva corrói a minha boca. O baixo pH da minha crítica, da minha revolta. Corrói pouco a pouco, destruindo e desgastando a minha garganta, já fraca do praguejar ignorado pela sociedade alienada, surda. O meu estômago já não atura tanto desgosto.
E em cada gota de absurdo, em cada pedaço de injustiça e hipocrisia que me empurram, a fortes punhos, goela abaixo, minha situação piora. Me sinto traída, envenenada pelo mundo que me abriga. Doce ironia.

Beira Mar


Eu entendo a noite como um oceano
Que banha de sombras o mundo de sol
Aurora que luta por um arrebol
Em cores vibrantes e ar soberano
Um olho que mira nunca o engano
Durante o instante que vou contemplar

Além, muito além onde quero chegar
Caindo a noite me lançou no mundo
Além do limite do vale profundo
Que sempre começa na beira do mar

Zé Ramalho

Tinha um bicho no peito


Tenho um bicho no peito. Bichinho revolto, que parece ansiar para sair. Agita suas asas compassadamente, por vezes entrando em euforia, ou permanecendo aquietado. O bichinho voa dentro de mim, se debate, tenta se soltar. às vezes, quando machucado, torna-se áspero, e faz doer. Como se descontasse em mim a sua raiva de bichinho, por ter deixado que isso acontecesse à ele. Andava muito revoltado, me machucava continuamente.
Um bichinho um tanto sensível, afetado, complicado e desconfiado do mundo, temeroso por se machucar. Eis então que o animalzinho fora cativado, e engana-te se achas que isso significaria "domado". Não, não há quem o dome.
E como tem me dado trabalho! Se debate, desejando sair, se dar a ti. Mas essa agitação não faz doer, de jeito algum. E me deixa tão feliz! Pois ele canta, o canto mais alegre, na esperança de que você ouça.

Retrato Falado

Olhos, que conseguem enxergar muito além da sua superfície.
Ouvidos, que estão dispostos a ouvir todas as suas divagações mirabolantes.
Boca, o sorriso mais agradável.
Braços, com o mágico poder de afastar medos e de acalmar.
Mãos, que simbolizam o cuidado.
Pés, os quais você seguiria a qualquer lugar, pouco importa a direção.

É a pessoa amada.

60 segundos


Soa o alarme de incêndio. Você tem 60 segundos para deixar o local, o que você levaria consigo?

Uma ideia um tanto quanto aleatória, não? Achei um tanto quanto curioso, estava eu, em pleno sábado a noite, esvaziando uma caixa de chocolates e assistindo à um filme que em algum momento falou disso. A parte curiosa, é que eu já me fiz essa pergunta centenas de vezes. Não, não estou brincando, quando eu era pequena e ficava divagando com meus ursinhos de pelúcia sobre tal fato, eu dizia que salvaria todos eles, e estaria feliz com isso. Você já pensou sobre isso? Entre todos os pertences do seu lar, você já pensou no que gostaria de salvar?
A sua vontade é de levar a casa inteira consigo, mas pense um pouco no que realmente importa.
Suas joias, o seu computador, celular? Os seus livros, CD's, as suas roupas? As fotos, as cartas? O cartão de crédito? Se apresse, você tem que sair da casa.
Eu pensei bastante, e ainda não sei. Só tenho a certeza de que levaria os meus bichinhos de pelúcia.

And stop crying your heart out


'Cause all of the stars

are fading away

Just try not to worry

you'll see them someday

Take what you need

and be on your way

And stop crying your heart out