Tal qual a luz da lua


As ruas, as calçadas, as árvores, as pedras, as poças, a lua rechonchuda tinge de prata, lá do alto, aquele momento. Ela pinta nossos rostos, a brisa que brinca com nossos cabelos, os nossos pés descalços que nos levam sem nossa concessão para lugar nenhum. Ela pinta os nossos sorrisos, o calor do nosso hálito que é visível graças à noite fria, até as mais banais palavras ditas. E não importa para onde a gente ande, corra, se esconda, ela nos segue, banhando nosso pequeno pedaço de mundo em monocor. Eu, você e tudo que nos envolve. A felicidade é prata, tal qual a luz da lua.

Em cima do telhado o ar é tão frio e tão calmo, eu digo o seu nome em silêncio, mas você não quer ouvi-lo agora. Os olhos da cidade estão contando as lágrimas que caem, cada lágrima é uma promessa de tudo que você nunca saberá.

Eu sou um aeroporto.

Na verdade, todos nós. Que outro lugar, senão um aeroporto, condensa sob o mesmo teto a alegria do encontro e a tristeza da despedida? Vejo pedaços de mim acima das nuvens, em logradouros distantes, em cidades inóspitas. Recebo, também, de todo lugar, pedaços do mundo que, como ímãs, aplicam-se sobre a minha pele e lá ficam para a posteridade, exibidos por onde passo.

Alguns têm a pista embrenhada entre matas, encoberta por nuvens de chuva, radares desligados ou intencionalmente sabotados. Tem gente que tem medo de avião.

Por medo das partidas, tem gente que não deixa ninguém chegar. São aeroportos fechados. No entanto, a gente só percebe o calor do abraço quando sente a dor de respirar o ar frio da solidão. Você brada aos céus toda sorte de impropérios, mas não percebe que vôo nenhum te encontra no radar.

Eu sou um aeroporto. Chegadas e partidas são a única certeza na minha vida. Meus olhos estão virados pro futuro, focados na estrada que se prostra à minha frente. Encontro em mim, com igual facilidade, motivos para persistência ou para desistência. E continuar pra quê? Continuo com a força do que levo pra vida. O saldo positivo disso tudo é a quantidade de aviões que acolho em meus hangares. Pedaços de histórias que conto pra mim mesmo todo dia, enquanto ergo um tímido sorriso quase que instantâneo de realização.

E você, aeroporto em greve, tá esperando o quê, olhando pra cima?

(Avião não pousa em aeroporto fechado)


Lucas Silveira.

Certa vez, me pediram para escrever algo sobre o amor, um dos desafios mais difíceis que já me fizeram. O amor não é algo fácil de se definir, ama-se justamente pelo que ele tem de tão indefinível. Sentimento que não obedece a razão, que ultrapassa limites, que move montanhas. Tamanha energia que você pode gerar dentro de si próprio, tão grande que não há medida que calcule suas dimensões. Tão simples, tão puro e tão complexo. Ama-se, somente isso. Me perguntaram também se eu já havia amado, eu disse que sim, e que o felizardo tinha apenas 3 anos. E ele não precisa fazer mais que estampar um gostoso sorriso no rosto para me deixar feliz. Isso é amor.

É hora de fazer diferente, de levantar-se dessa cadeira, de levantar a sua voz , de bater pé firme, é hora de ser humilde e admitir teus erros e ter a coragem de mudar o que te deixa insatisfeito. O mundo está logo ali, depois daquela janela que você deixa fechada, a beleza do céu, a magia do amanhecer, mas você finge nem se importar, acha que está sempre muito ocupada, que os teus problemas são sempre os piores, ora, você é tão nova para ser tão velha e rabugenta! Deixe que o teu brilho se expanda, não tenha vergonha, és linda! E a minha mão está logo aqui, esperando pela tua, para irmos em direção ao novo.

Definição de caos: "Total confusão ou desordem"

Onde você não sabe onde pisar, pois parece que já não existe chão algum, ou onde está o seu tão necessário oxigênio, pois parece que você tomou um forte soco nas costelas impedindo que o seu pulmão trabalhe livremente, ah sim, ali estão! As suas lágrimas, muitas delas. Mas falta o ombro amigo para apoiar-te, razão esta para que mais lágrimas aflorem. Melancolia? Muita sim, mas acho que o momento me permite. Boa parte dos teus motivos para sorrir, para estar feliz, estão muito longe, sem previsão para voltar, e a despedida nunca é o suficiente. Outros estados, outros países, uma distância deprimente de se calcular. Mas eles também estão tão perto, aqui, logo aqui, do lado esquerdo do meu peito, de onde jamais irão sair, é até confortável, mas nunca será o bastante.


Unidos por um gosto, um plano simples. Afeição, posteriormente amizade. Amizade que atravessa quase 5000 km. Amigo, um dos poucos que eu posso dizer que tenho, e que eu não troco por nada. Amigo no qual eu confio para falar desde os acontecimentos mais banais desse cotidiano medíocre, para rir de uma coisa à toa, para ligar quando não tem nada para fazer no colégio, para pedir uma opinião aqui, um conselho ali, para desabafar e contar sobre os problemas mais complicados pelos quais eu passo. Amigo no qual eu confio cegamente, que eu sei que jamais me decepcionaria. Amigo, ou como você disse: escudeiro fiel. A maior patente que eu posso dar à alguém. Meu escudeiro fiel, no qual eu confiaria a mais difícil missão; Meu escudeiro fiel, o da armadura mais brilhante; Meu escudeiro fiel que merece o melhor do mundo; O MEU ESCUDEIRO FIEL pelo qual eu faria o impossível.