Brinquedos tortos


Uma garotinha brinca na praça em um ensolarado e agradável dia de primavera, não há ninguém ao seu lado mas ela tagarela e descorre sobre uma infinidade de fatos com o vento. De mão dadas com um ursinho com seu eterno sorriso, ela vai caminhando e conversando, parando para pegar flores, folhinhas, analisar insetos. Já não é mais o meu tempo de ter amigos imaginários, de conversar com os meus brinquedos. Um vazio imenso toma conta de mim, a carência já não é mais facilmente preenchida com uma boneca, imaginar um planeta só meu com unicórinios e fadinhas já não funciona, pelo menos, não pelo tempo desejável. Seja por uma questão biológica e/ou emocional, me sinto solitária. Eu invejo aquela garotinha baixinha e ruiva, ela parece tão feliz, nem se aproxima das outras crianças que correm em volta das árvores, ela está satisfeita. Eu acabo preenchendo o meu vazio enchendo os outros. Durante os anos que se passaram, meus ursinhos ficaram surdos.

1 comentários:

Paulo Monte disse...

muito bom =)

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